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WASHINGTON, D.C., EUA. – Néstor Salazar ainda se lembra do habilidoso drible do jovem Greivis Vásquez, quando se divertia com sua bola de basquete pela Avenida La Rinconada Coche, em Caracas, na Venezuela.
Morando a poucos metros daquele que viria a ser o craque da Universidade de Maryland, Salazar, treinador nacional da equipe venezuelana, observava da janela de sua casa o jogador que seria a sensação do futuro.
“Quando se vive na periferia, todo garoto tem de se reafirmar e provar que é homem”, Salazar disse numa entrevista para o The Washington Post. “Alguns se envolvem em lutas de rua, outros portam armas. E há aqueles que vão para os esportes. Greivis escolheu o basquete para provar sua masculinidade.”
Quase 15 mais tarde, Vásquez, 23, surgiu homem dentre os garotos, consagrado o jogador chave da equipe nacional do seu país, nomeado Jogador do Ano na Atlantic Coast Conference, garantiu a Maryland o título da temporada ACC. Os Terrapins ocupam a 19º posição no ranque nacional, participam da quartas de final contra o Georgia Tech ou North Carolina no Torneio ACC, em Greensboro, Carolina do Norte, em 12 de março, às 19h.
Vásquez, de um pouco mais de 2 metros de altura e quase 91 quilos, na próxima semana liderará Maryland rumo ao seu primeiro campeonato nacional desde 2002. Das mais de 300 equipes da primeira divisão no país apenas 65 se qualificam.
“Ele está melhor a cada partida”, disse Gary Williams, treinador do Maryland, para a The Associated Press. “Ele tem participado de partidas importantes e tem se saído muito bem. Em um ano que outros jogadores da liga se mostraram merecedores, fico feliz por Greivis, que ele tenha ganhado o prêmio.”
Vásquez, uma figura caracterizada pela sua coragem e machismo, tem se perseverado em meio às controvérsias e continua determinado a ganhar milhões jogando profissionalmente.
O Maryland acabou perdendo feio, depois de Vásquez irritar oponentes com provocações verbais antes do jogo. Ele também discutiu aos berros com alunos da Universidade de Maryland durante um jogo no ano passado, xingando-os de palavrões ao atravessar a quadra.
“Eles só precisam ser mais pacientes comigo, me apoiar e me dar algum tempo, porque eu sei que posso fazer alguma coisa pelo time”, Vásquez disse ao The Washington Post. “A única coisa, você sabe, eu apenas preciso de apoio, só isso. Às vezes as pessoas entendem errado. A razão pela qual eu faço isso e jogo com tanta paixão é porque eu tenho uma família que me motiva. Eu tenho um país inteiro que me motiva.”
Vásquez simboliza o próximo capítulo da presença da Venezuela no cenário esportivo dos Estados Unidos. Tendo crescido num país dominado pelo baseball e pelo futebol antes de se mudar para Rockville, no estado de Maryland, para jogar basquete pelo Colégio Cristão, Vásquez teve bem poucos modelos nas quadras.
Na principal liga de basquete, 100 jogadores da Venezuela embolsam um super salário: Félix Hernández, do Seattle Mariners (US$ 3,8 milhões anuais), Johan Santana, do New York Mets (US$ 18,8 milhões) e, do Chicago Cubs, Carlos Zambrano (US$ 18,7 milhões).
Só que, no momento, nenhum venezuelano joga em uma das 30 equipes da Associação Nacional de Basquete, que hoje emprega 450 jogadores – e é isso que Vásquez quer mudar. Seu objetivo é se tornar o 3º venezuelano – junto com Carl Herrera (1994-99) e Óscar Torres (2001-03) – a jogar na liga mais importante do mundo.
“Eu quero ser o cara que, no final da carreira NBA ou no final de qualquer outra carreira, tenha uma empresa que possa gerar emprego”, Vásquez falou ao The Washington Post. “E eu sei que isso envolverá muito trabalho, mas, por enquanto, eu tenho que trabalhar em prol da minha imagem. Eu quero ser alguém que todos gostem e de quem todos se lembrem, porque eu sou um cara legal, que quer ajudar. Eu quero ajudar.”
Enfrentando um de seus períodos econômicos mais críticos, é exatamente disso que a nação andina precisa. Desde o início do ano, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, desvalorizou a moeda do país em torno de 50%, e especialistas financeiros predizem que a inflação pode aumentar em 40% – más notícias para a economia de um país que retraiu em quase 3% no último ano.
Quem sabe será necessário que um ícone semelhante ao Michael Jordan surja para unir o país e ajudá-lo a sair da situação crítica em que se encontra.
Vásquez sente-se satisfeito com a comparação.
“Ele está sempre pronto, assumindo a responsabilidade", disse o diretor nacional da equipe venezuelana, Francisco Díez, ao The Washington Post. “Ele gosta de fazer a última tentativa. Não o estou comparando com Michael Jordan, mas Michael Jordan costumava dizer, ‘Eu sou responsável pela última tentativa.’ E é isso o que Greivis gosta de fazer.”
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