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BRASÍLIA, Brasil – O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniu com seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, para fortalecer as relações econômicas entre seus país, dia 1° de setembro. (Evaristo Sa/AFP/Getty Images)

BRASÍLIA, Brasil – O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniu com seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, para fortalecer as relações econômicas entre seus país, dia 1° de setembro. (Evaristo Sa/AFP/Getty Images)

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‘O viciado não se torna um santo da noite para o dia’

Tratamento gratuito só é oferecido com consentimento do paciente

Por Danielle Melo para Infosurhoy.com — 29/01/2010

O crack se tornou um grave problema em todo o Brasil, enquanto os viciados transformam becos em antros de drogas. (Mauricio Lima/AFP/Getty Images)

RIO DE JANEIRO, Brasil – O crack tem o mesmo ingrediente ativo da cocaína, mas, como é fumado, os pulmões o absorvem mais rapidamente e mandam as toxinas diretamente para o cérebro. A droga causa ansiedade, sensação de perseguição, insônia, perda de apetite e hiperatividade.

A segunda e última parte da reportagem do Infosurhoy.com sobre a luta contra esta droga mortal no Brasil mostra o drama das famílias em busca de tratamento para seus familiares viciados.

Apesar de os dependentes em crack receberem tratamento do sistema público de saúde, o aumento no número de usuários impede internações mais longas.

Exemplo típico: o caso Bruno Kligierman de Melo.

No dia 24 de outubro de 2009, o rapaz de 26 anos estrangulou até a morte sua amiga Barbara Calazans, de 18 anos, em seu apartamento no tradicional bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Bruno é viciado em crack há pelo menos seis anos e já esteve internado em uma clínica particular pelo menos cinco vezes, de acordo com seu pai. Sua última internação foi em maio do ano passado. Bruno ficou internado por 15 dias antes de receber alta.

O motivo? Não foi porque ele estava totalmente limpo, mas porque seu plano de saúde cobria apenas 15 dias de tratamento.

Assim, Bruno acabou voltando à droga mortal – uma forma de cocaína sólida, que pode ser fumada – após a morte de sua mãe.

O pai de Bruno, o produtor cultural Luiz Fernando Prôa, tentou a hospitalização do filho em outra instituição, inclusive em um hospital público. Mas ele não conseguiu que Bruno fosse aceito em nenhum centro médico.

Por quê? Porque Bruno não queria ser internado, e os hospitais, clínicas e centros de apoio só aceitam viciados que concordem voluntariamente com o tratamento.

“As clínicas só aceitam aqueles viciados que chegam por seus próprios pés”, diz Prôa. “Quando são aceitos, eles podem ficar hospitalizados por apenas 15 dias. Isto não resolve. O viciado não se torna um santo da noite para o dia.”

Bruno não se lembra da noite fatal de 24 de outubro. Ele ligou para seu pai, que por sua vez chamou a polícia, que finalmente o conduziu até o hospital psiquiátrico Roberto Medeiros, uma unidade do complexo de Bangu, uma prisão de segurança máxima no Brasil. Seu julgamento está marcado para 04 de fevereiro.

“Eu tenho conversado muito com ele”, Prôa disse numa entrevista ao jornal O Globo. “Eu digo: ‘Se você ainda está vivo, se Deus te deu esta chance e você vai ter uma dívida com a vida, principalmente, que você faça sua parte. Cumpra sua pena determinada pela Justiça e saia para salvar vidas. É o único jeito de restabelecer o seu nome e provar a sua índole’”.

De acordo com dados do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), os usuários de crack geralmente são mais jovens do que Bruno, com idade média de 21,6 anos, contra uma média de 30,5 anos para os viciados em cocaína. Os dependentes em crack têm uma renda e um nível de instrução mais baixo do que os usuários de cocaína, de acordo com a pesquisa.

O estudo do psicólogo do Nepad Bernardo Cruz traz outros números supreendentes. Em 2005, ele tratou de 200 pacientes viciados em cocaína – e somente um usava a droga em forma de crack. Três anos depois, mais da metade (114) do mesmo número de pacientes eram viciados em crack.

“O fator perverso é que, mesmo tendo menos dinheiro, aqueles que usam crack gastam mais”, explica Bernardo, “porque, apesar de ser mais barato, os efeitos do crack são mais intensos e momentâneos”.


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