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TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

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Samba se aprende na escola

Crianças a partir de 3 anos são treinadas para um dia substituir os ídolos da Beija-Flor, escola 12 vezes campeã do carnaval carioca.

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 02/02/2012

RIO DE JANEIRO, Brasil – Rayane Cadette dos Santos tem ginga e samba no pé.

Certa vez, durante um ensaio da Escola de Samba Beija-Flor, o talento da menina chamou a atenção de integrantes da bateria e ela foi convidada para ser passista da escola.

Recentemente, Rayane conseguiu seu primeiro emprego, graças também ao requebrado: ela foi contratada como passista do programa de auditório dominical Esquenta!, da TV Globo, a maior emissora do país.

“Rayane já foi chamada várias vezes para desfilar por outras escolas, mas não quer deixar a Beija-Flor”, diz sua mãe, Marilene de Albuquerque.

A trajetória de Rayane seria comum no mundo do samba se não fosse um pequeno detalhe: a menina tem apenas 6 anos.

Desde os 3, Rayane faz parte da Escolinha da Beija-Flor de Nilópolis, que forma passistas, porta-bandeiras e mestres-salas para a escola, atual campeã do Grupo Especial, o principal do carnaval carioca.

O município de Nilópolis é um dos 14 que formam a Baixada Fluminense, uma das áreas mais violentas e pobres do estado do Rio de Janeiro.

Criada há 10 anos, a Escolinha da Beija-Flor é gratuita e aberta para crianças e jovens de 3 a 17 anos. A maioria dos alunos mora em Nilópolis.

Disneylândia da comunidade

“Aqui é a Disneylândia deles”, diz a professora da escola, Selminha Sorriso, que é porta-bandeira há 23 anos, sendo que 16 deles na Beija-Flor.

No Brasil, o amor pelas escolas de samba lembra a paixão pelos times de futebol. E, como dizia um antigo slogan do Flamengo, “craque se faz em casa”.

Campeã 12 vezes, a Beija-Flor é uma das escolas que tem em um de seus postos mais cobiçados, o de rainha de bateria, uma pessoa que faz parte da comunidade, enquanto outras escolas dão a honra para atrizes, modelos ou apresentadoras famosas.

Coroada aos 12 anos, a rainha de bateria da Beija-Flor é Raíssa de Oliveira, de 21. Antes de assumir o posto, Raíssa desfilou por quatro anos na ala das crianças da escola.

“Queremos que nossas crianças substituam os componentes da escola quando eles forem saindo”, diz Selminha. “Mas o projeto também desperta a disciplina e a cidadania, além de incentivar a inclusão social.”

Professores, psicólogos e assistentes sociais



							Um menino samba na Escolinha da Beija-Flor, que oferece quatro horas de aula, aos sábados, durante o ano todo. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

Um menino samba na Escolinha da Beija-Flor, que oferece quatro horas de aula, aos sábados, durante o ano todo. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

Além de Selminha e de outro professor, o mestre-sala Claudinho, a escolinha da Beija-Flor conta com psicólogos e assistentes sociais. A preocupação, segundo a porta-bandeira, se estende ao desempenho dos alunos nos estudos.

Há ainda acompanhamento para crianças portadoras de deficiências físicas ou mentais.

“Algumas precisam tomar medicamentos, mas, depois que entram para a escolinha, melhoram tanto que conseguem reduzir a medicação”, explica Selminha.

As aulas têm duração de quatro horas e são realizadas durante todo o ano, sempre aos sábados, na quadra da Beija-Flor. De janeiro a dezembro, o número de alunos oscila entre 100 e 200. Considerada um mito do carnaval carioca, Selminha é a principal inspiração dos alunos.

“Quando eu tinha 4 anos, vi a tia Selminha no carnaval e queria ser como ela”, lembra Naira Rufino Silva, 8.

Emanuele Martins de Oliveira, 14, diz que está se preparando na escola desde os 7 para seguir a carreira de Selminha.

“Ela mesma diz que eu vou ser sua sucessora”, conta Emanuele, que já desfilou duas vezes na Beija-Flor como terceira porta-bandeira.

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira é um dos dez quesitos em julgamento no desfile de carnaval do Sambódromo, o mais notório do país.

Cada escola tem 5.000 membros

Principal atração do carnaval carioca, o Grupo Especial tem 12 escolas de samba. Cada uma delas desfila com cerca de 5.000 membros de ponta a ponta na Avenida Marquês de Sapucaí, no Sambódromo, área construída no Centro do Rio, em 1984, exclusivamente para o carnaval.

Um grupo de 50 jurados, divididos em dez grupos, analisam cada quesito e dão notas de acordo com a performance das escolas.

A escola pode levar dois ou três casais de porta-bandeira e mestre-sala à Avenida, mas só o primeiro é julgado.

Em 2011, a Beija-Flor foi a campeã do Grupo Especial.

Organizado por comunidades pobres

Mal termina o carnaval, que este ano vai de 18 a 22 de fevereiro, e as escolas de samba já começam a planejar o próximo. O desfile é preparado por comunidades pobres dos morros e subúrbios onde surgiram as escolas.

“É a maior emoção desfilar”, diz o aluno Thuan Matheus Silva Moraes, 13. “Choro muito quando a escola não ganha o campeonato.”

Escolinha da Beija-Flor de Nilópolis.(Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

A tradição do samba atravessa gerações.

“Beija-Flor é minha escola de coração”, diz Hugo Bonifácio de Almeida, 12. “Minha mãe foi primeira porta-bandeira da escola.”

Do lado de Hugo, Pedro Henrique Ribeiro, 11, não quer ficar para trás: “Meu tio e meu padrinho foram passistas da escola”.

Mestre Dionísio: escola no Sambódromo

Outro que ajuda com seu talento na formação de sambistas do futuro é o lendário mestre-sala Manoel Dionísio, 75 anos, 54 anos dedicados ao carnaval. Sua Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte (quem carrega a bandeira dos blocos) começou há 21 anos na sede da Federação dos Blocos Carnavalescos, no Centro do Rio.

Com o tempo, o espaço foi ficando pequeno para a demanda. A escolinha de Mestre Dionísio foi transferida para o Sambódromo.

Atualmente está em recesso por conta das obras no local.

“Quando criei a escola, não estava tendo renovações nestas funções e as escolas e blocos estavam com carência”, explica o mestre. “Eles começaram, então, a enviar crianças para serem preparadas para assumir à medida que os integrantes das agremiações iam saindo ou se aposentando do carnaval.”

As escolas continuam enviando jovens para Mestre Dionísio, mas o local também é procurado por aqueles interessados em entrar no mundo do samba. Representantes de agremiações também visitam a escola do mestre em busca de novos talentos.

“Daqui já saíram mestres-salas e porta-bandeiras das principais escolas de samba do Rio, entre elas, Salgueiro, Mangueira, Portela e Mocidade”, conta o mestre.

As aulas são gratuitas e acontecem aos sábados. São 356 alunos cadastrados atualmente, segundo Dionísio.

Além de classes infantis, há turmas de adultos, de crianças com necessidades especiais e de terceira idade.

A escola conta com dez instrutores, dois psicólogos, um pedagogo e um ortopedista.

“As aulas ajudam no bem-estar e na socialização dos alunos”, diz o mestre.

Dionísio já exportou seu método para sete estados brasileiros. Os grupos interessados em montar uma escola nos moldes da do mestre passam por um treinamento intensivo de 15 dias com a equipe no Rio.

De três em três meses, os instrutores do mestre Dionísio visitam os locais para prestar consultoria ou sempre que forem requisitados.


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