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TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

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Vinícolas mexicanas enfrentam obstáculos

Vinhos do país são elogiados mundialmente, mas barreiras financeiras e comerciais impedem crescimento.

Por Peter Noyce para Infosurhoy.com — 30/01/2012


							Enquanto o México produziu 10 milhões de litros de vinho em 2009 – estatísticas mais recentes disponíveis –, potências como Argentina e Chile produziram, respectivamente, 1,21 bilhão de litros e 844 milhões de litros no mesmo período, segundo a associação de produtores de vinho The Wine Institute, da Califórnia. (Ivan Alvarado/Reuters)

Enquanto o México produziu 10 milhões de litros de vinho em 2009 – estatísticas mais recentes disponíveis –, potências como Argentina e Chile produziram, respectivamente, 1,21 bilhão de litros e 844 milhões de litros no mesmo período, segundo a associação de produtores de vinho The Wine Institute, da Califórnia. (Ivan Alvarado/Reuters)

CIDADE DO MÉXICO – Apesar de aclamada mundialmente pelo paladar e variedade de seus produtos, a indústria vinícola mexicana fica atrás de outros países produtores em termos de reconhecimento e presença globais.

Embora o clima e o solo em certas regiões mexicanas sejam particularmente propícios ao cultivo das uvas – sobretudo no estado da Baja California –, há muitas barreiras restringindo a distribuição em larga escala de vinhos nacionais.

A indústria vinícola do México é prejudicada pelos preços em alta da bebida no mercado global, flutuações da taxa de câmbio, diminuição do volume de pedidos dos distribuidores e exigência dos varejistas de mais dinheiro para estocar e promover produtos novos e existentes.

“O nível de [investimento] exigido para a produção seria simplesmente muito alto para considerarmos seriamente a exportação”, diz Tru Miller, um dos proprietários da vinícola mexicana Adobe Guadalupe, em Ensenada, Baja California.

Como consequência, o interesse pelo vinho mexicano diminuiu na última década, lamenta Philip Amery, diretor da distribuidora de vinhos finos londrina Albion Wine Shippers.

“Não é fácil importar vinhos mexicanos, principalmente devido ao custo de entrar e sair com contêineres do México e da logística interna, que dificulta e encarece a movimentação de contêineres para a Costa Leste”, explica Amery, cuja firma foi pioneira na importação de vinhos mexicanos para a Europa. “O vinho mexicano pode competir com os de outros países, mas não em larga escala, porque o custo é alto demais.”

Os números falam por si: enquanto o México produziu 10 milhões de litros de vinho em 2009 – estatísticas do ano mais recente disponíveis – potências como Argentina e Chile produziram 1,21 bilhão de litros e 844 milhões de litros no mesmo período, segundo a associação de produtores de vinho The Wine Institute, da Califórnia.


							Rafa Ibarra, crítico mexicano de comida e vinhos: “Apesar de [os vinhos mexicanos] serem predominantemente tintos, as vinícolas também atendem consumidores que preferem vinhos brancos, rosés, espumantes e doces”. (Peter Noyce para Infosurhoy.com)

Rafa Ibarra, crítico mexicano de comida e vinhos: “Apesar de [os vinhos mexicanos] serem predominantemente tintos, as vinícolas também atendem consumidores que preferem vinhos brancos, rosés, espumantes e doces”. (Peter Noyce para Infosurhoy.com)

Outro problema é que os entusiastas da bebida simplesmente não sabem onde comprar vinhos mexicanos.

“Acho que eles deveriam estar em toda parte, mas são difíceis de encontrar”, afirma Corie Brown, gerente-geral do zesterdaily.com, um site de Los Angeles que estimula a “cultura da comida e da bebida”.

Na Espanha, um dos maiores mercados mundiais de vinho, o crítico Nico James simplesmente disse “nada” ao ser perguntado sobre o que sabia sobre o vinho mexicano.

“São muito poucos os consumidores da bebida que conhecem o vinho mexicano”, afirma. “Introduzir um produto de um país não associado à produção de vinho não é fácil – requer educação, degustações e muita paciência.”

Berço do vinho

O nascimento da viticultura nas Américas não está enraizado nos vales férteis de Mendoza, Argentina, ou nas planícies ensolaradas da Califórnia, mas no terreno acidentado do México.

Foi em Nueva España – como o México era conhecido durante a dominação espanhola (de 1521 a 1821) – que os conquistadores e missionários introduziram inicialmente o vinho, acabando por estabelecer vinhedos nos vales ao redor de onde hoje fica a Cidade do México.

A história remonta a tempos ainda mais antigos, quando as tribos indígenas do México – astecas, zapotecas e toltecas – costumavam fermentar frutas para criar bebidas alcoólicas usadas em práticas cerimoniais e para fins recreativos.


							O Cabernet Sauvignon da L.A. Cetto, uma vinícola da Baja California, recebeu a medalha de prata no concurso da Associação de Degustadores em Traverse City, no estado americano de Michigan, em 2010. (Peter Noyce para Infosurhoy.com)

O Cabernet Sauvignon da L.A. Cetto, uma vinícola da Baja California, recebeu a medalha de prata no concurso da Associação de Degustadores em Traverse City, no estado americano de Michigan, em 2010. (Peter Noyce para Infosurhoy.com)

Desde sua origem relativamente humilde, os vinhedos mexicanos continuaram a criar produtos e expandir seu alcance, com muitos conhecedores alegando que a qualidade do vinho mexicano se equipara aos melhores do mundo.

“Os vinhos mexicanos gozam de alta reputação em termos de qualidade”, destaca Amery.

Os produtores estão aumentando a variedade de vinhos para atender ao crescente mercado interno.

“Apesar de [os vinhos mexicanos] serem predominantemente tintos, as vinícolas também atendem consumidores que preferem vinhos brancos, rosés, espumantes e doces”, ressalta o mexicano Rafa Ibarra, crítico de comida e vinhos.

Mudança cultural

Amery diz que, além de investimento e melhor distribuição, é preciso uma mudança cultural para promover os vinhos mexicanos.

“Os vinhos mexicanos encontrarão dificuldades para estabelecer um grande mercado porque ninguém associa comida mexicana ao vinho, mas à cerveja e à tequila”, observa. “A maioria dos restaurantes mexicanos quer apenas os vinhos mais básicos e baratos.”

Mas alguns, como Ibarra, estão otimistas de que a qualidade geral do vinho mexicano permitirá a criação de um nicho no mercado mundial.

Os vinhos mexicanos já conquistaram diversos prêmios de destaque. O Cabernet Sauvignon da L.A. Cetto ganhou a medalha de prata no concurso da Associação de Degustadores em Traverse City, no estado americano de Michigan, em 2010, enquanto o Chardonnay da vinícola Casa Madero faturou a medalha de ouro no concurso Chardonnay du Monde, em Burgundy, na França, em 2007. A Casa Madero recebeu ainda uma menção honrosa no Desafio Internacional do Vinho, em Londres, em 2007.

“Nossos fantásticos vinhos conquistaram centenas de medalhas em competições internacionais”, orgulha-se Ibarra. “Agora, só precisamos de um pouco mais de apoio para que as vinícolas comecem a cruzar as fronteiras.”


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