Desmatamento ameaça santuário ecológico brasileiro

03/02/2012

CUIABÁ – O Pantanal Mato-Grossense, um exuberante santuário ecológico na Região Centro-Oeste, está ameaçado pela agricultura intensiva e desmatamento, alertou uma importante organização ambiental durante o Dia Mundial das Zonas Úmidas, em 2 de fevereiro.

Considerada a maior área alagável de água doce do mundo, o Pantanal se estende por milhares de hectares do Brasil e do leste da Bolívia e do Paraguai.

A área inclui santuários para pássaros migratórios, viveiros para seres aquáticos e refúgios para essas criaturas, como o jacaré-do-pantanal, veados e onças. Cerca de 4.500 espécies diferentes habitam o Pantanal.

A organização ambiental World Wildlife Fund (WWF) deu o alerta sobre a crescente ameaça à região que representam a agricultura intensiva, o desmatamento, o crescimento urbano e a proliferação de barragens.

Como prova, o grupo cita um estudo de três anos de 30 especialistas de Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina, os países que são banhados pelo Rio Paraguai, que nasce no Mato Grosso e percorre cerca de 2.600 km até a confluência com o Rio Paraná, na Argentina.

“O Pantanal está ameaçado”, alertou o biólogo Glauco Kimura, coordenador do programa Água para a Vida do WWF. “Isso pode parecer surpreendente, mas é a triste realidade. Nosso estudo mostra que 14% da bacia do Rio Paraguai tem que ser protegida urgentemente.”

Navegando pelo Rio Cuiabá, um importante afluente do Pantanal, escoltado por aves de rapina e papagaios coloridos, Kimura e sua equipe pararam no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em um platô na extremidade do Pantanal.

A ameaça vem exatamente do Cerrado, conhecido também como Planalto, segundo Kimura.

Há milhares de hectares de terras cultivadas no Cerrado. A soja é o principal produto da região, mas milho, arroz, algodão e cana-de-açúcar também são plantados.

O Pantanal também é ameaçado pelo desmatamento, pois pecuaristas derrubam as árvores para criar pasto.

[AFP (Brasil), 03/02/2012; G1 (Brasil), 02/02/2012]