Entrevista: Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro

03/02/2012

Por Daniela Oliveira para Infosurhoy.com — 03/02/2012

RIO DE JANEIRO, Brasil – A destruição provocada pela maior tragédia natural da história do país ainda deixa rastros na Região Serrana do Rio de Janeiro.

As cidades mais atingidas pelas fortes chuvas ainda estão se recuperando da calamidade que provocou 900 mortes e deixou quase 9.000 desabrigados em janeiro de 2011.

Um ano depois do desastre, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão voltou à Nova Friburgo – uma das cidades mais atingidas. Em 12 de janeiro de 2011, Pezão foi ao município para coordenar de perto o auxílio às vítimas. No mês passado, ele foi levar esperança aos que seguem desabrigados.

A visita do vice-governador marcou o início das obras de construção das 550 primeiras casas que serão erguidas no bairro Caminho do Céu, no distrito de Conselheiro Paulino.

“Quando cheguei aqui no ano passado, a cidade estava muito vulnerável. Vivenciei de perto o que tínhamos que fazer. Foi difícil”, disse ele.

Em entrevista ao Infosurhoy.com, o vice-governador acrescentou que as autoridades já vistoriaram mais de 20 áreas na Região Serrana para construção de moradias às vítimas e que são poucos os terrenos planos. No entanto, o maior obstáculo enfrentado pelo governo para sanar o déficit habitacional na região são os processos de desapropriação de terras, disse Pezão.

Infosurhoy: Qual balanço o senhor faz um ano depois da tragédia das chuvas na Serra?

Pezão: Essa foi a maior tragédia natural da história do país. Infelizmente, vidas foram perdidas, e as cidades atingidas sofreram forte impacto no desenvolvimento. No entanto, o governo do estado agiu rápido no socorro às vítimas e, em dois meses, as cidades já tinham voltado à normalidade. Em parceria com o governo federal, destinamos mais de R$ 1 bilhão para obras, aluguel social das famílias que perderam suas casas e ações de recuperação e prevenção de deslizamentos e enchentes nas sete cidades atingidas.

É importante frisar que essa é uma responsabilidade dos municípios, mas o governo estadual tem colaborado e feito muito em apoio às cidades, seja em obras ou buscando recursos junto ao governo federal. Além das obras de contenção de encostas, recuperação de pontes e rodovias, dragagem de rios e canais e construção de moradias na Região Serrana, concluímos o mapeamento geológico de 31 municípios e vamos trabalhar em parceria com as prefeituras para mitigar ou eliminar os riscos de deslizamentos.

Infosurhoy: O que governo estadual está fazendo em Nova Friburgo? Estivemos lá, vimos algumas obras em estágio inicial, mas muitas áreas ainda estão totalmente destruídas. Quais os planos do governo para este ano?

Pezão: Em Friburgo, só em obras de contenção de encostas estamos investindo R$ 102 milhões. Também demos início à construção de 2.166 unidades habitacionais e 60 unidades comerciais. Este ano, 550 serão entregues. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) também iniciou, recentemente, obras de dragagem, canalização, construção de barragens e implantação de parques fluviais. Além disso, vamos começar a reconstrução de pontes.

Infosurhoy: E em relação a Teresópolis?

Pezão: O governo do estado está investindo mais de R$ 37 milhões em contenção de encostas. Com recursos que recebemos do Ministério da Integração, vamos iniciar, em breve, outras obras de contenção de encostas, dragagem dos rios Príncipe, Imbuí e Paquequer e implantação de parque fluvial nos rios Imbuí e Paquequer. Todas essas ações somam mais de R$ 98 milhões. Também vamos reconstruir 10 pontes com investimentos de R$ 6,4 milhões. Além disso, vamos começar a construção de 1.600 moradias.

Infosurhoy: Recentemente, o senhor defendeu uma proposta para controle das cheias dos rios nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro (sempre muito atingidos pelas chuvas de verão) e chegou a apresentar projetos ao Ministério da Integração Nacional. Em que estágio está essa iniciativa?

Pezão: Os projetos estão em análise pelo Ministério da Integração.

Infosurhoy: Em Nova Friburgo, alguns moradores que entrevistamos disseram que nem todos os desabrigados estão recebendo aluguel social. Alegam que os desabrigados cadastrados pelo estado recebem o aluguel e os cadastrados pelo município não. Disseram que seria realizado um recadastramento geral. O senhor tem conhecimento disso?

Pezão: Não. O cadastramento e a seleção das famílias beneficiadas são feitos pelas prefeituras.

Infosurhoy: Como será a alocação das famílias nas 550 primeiras casas que serão construídas no bairro Caminho do Céu, no distrito de Conselheiro Paulino, em Nova Friburgo? Ela seguirá alguma ordem específica?

Pezão: Como disse anteriormente, essa é uma responsabilidade das prefeituras.